
Como fazer a criança comer mais legumes: ideias para incluir legumes nos lanches
Se o seu filho não gosta de legumes, provavelmente você já ouviu ou até pensou em uma destas soluções:
“Então é melhor tirar do prato.”
“Vou esconder no meio da comida para ele não perceber.”
“Ele só aceita pão, biscoito e iogurte. Não adianta insistir.”
Mas, como nutricionista infantil, acredito que ajudar uma criança a ampliar a alimentação vai muito além de simplesmente encontrar uma maneira de fazê-la comer um legume.
Antes de aprender a gostar de um alimento, a criança precisa ter oportunidade de conhecê-lo.
Ela precisa ver.
Observar.
Tocar.
Sentir o cheiro.
Ter contato com diferentes preparações.
E, aos poucos, sentir-se mais confortável para experimentar.
Por isso, se você retira completamente do cardápio todos os alimentos que seu filho recusa, ele terá cada vez menos oportunidades de se familiarizar com eles.
Isso não significa obrigar a criança a comer.
Significa continuar apresentando os alimentos de maneira respeitosa e sem transformar a refeição em uma batalha.
E existe uma estratégia que pode ajudar bastante nesse processo: não deixar os legumes restritos apenas ao almoço e ao jantar.
Neste artigo, vou mostrar algumas ideias de como incluir legumes nos lanches das crianças e tornar a alimentação mais variada.

Fonte da imagem: acervo pessoal
Primeiro: a criança precisa conhecer os legumes
Uma criança não precisa amar um alimento na primeira vez em que ele aparece no prato.
Na verdade, conhecer novos alimentos é um processo.
Imagine oferecer brócolis para uma criança que nunca teve contato com ele e esperar que ela coloque uma grande quantidade na boca imediatamente.
Isso pode não acontecer.
Antes de experimentar, ela pode precisar apenas olhar.
Em outro momento, tocar.
Depois, sentir o cheiro.
E, somente mais tarde, provar.
Todos esses contatos podem fazer parte do processo de familiarização com o alimento.
Por isso, eu sempre incentivo os pais a não desistirem imediatamente quando a criança recusa um legume.
Recusar hoje não significa que ela nunca poderá aceitar esse alimento.
Continue oferecendo em outros momentos e de diferentes maneiras, sem pressão.
Uma cenoura pode aparecer cozida, ralada, assada ou como parte de uma preparação.
O objetivo não é fazer a criança comer de qualquer jeito.
É criar oportunidades para que aquele alimento deixe de ser completamente desconhecido.
Segundo: não transforme os legumes em um segredo
Muitos pais tentam esconder legumes em bolos, molhos, tortas ou outras preparações.
E eu entendo o motivo.
Quando a criança recusa determinados alimentos, os pais ficam preocupados e procuram qualquer estratégia para melhorar a alimentação.
Preparações que utilizam legumes podem, sim, fazer parte da rotina.
Um bolo de cenoura, um bolinho de beterraba ou uma torta de legumes são ótimas maneiras de variar as preparações.
Mas eu não recomendo que isso seja feito como uma forma de enganar a criança.
Por exemplo, não é necessário dizer:
“Esse bolo não tem cenoura.”
quando você sabe que tem.
Prefiro que a criança possa conhecer os ingredientes.
Você pode mostrar:
“Hoje vamos fazer um bolo com cenoura. Quer me ajudar a colocar os ingredientes?”
Mesmo que ela não queira provar naquele momento, ela teve contato com o alimento.
Com o tempo, essa familiaridade pode ajudar a tornar o legume menos estranho.
Usar legumes nas preparações é diferente de esconder completamente os alimentos e transformar a alimentação em um segredo.
Terceiro: os legumes também podem aparecer nos lanches
Quando pensamos em legumes, normalmente imaginamos imediatamente o almoço ou o jantar.
Arroz.
Feijão.
Carne.
Salada.
Legumes.
Mas quem disse que os legumes precisam aparecer apenas nessas refeições?
Os lanches também podem ser uma oportunidade para apresentar novos sabores e aumentar a variedade alimentar.
E não estou falando que você precisa colocar um prato de brócolis dentro da lancheira.
Existem diversas formas de utilizar legumes em preparações que fazem parte do lanche.
“Mas como colocar legumes nos lanches?”
Essa é uma dúvida muito comum.
Muitas crianças estão acostumadas a fazer lanches compostos principalmente por produtos prontos, como:
- Biscoitos industrializados;
- Biscoitos recheados;
- Bolinhos prontos;
- Bebidas adoçadas;
- Sucos de caixinha;
- Alguns produtos lácteos adoçados;
- Salgadinhos e outros ultraprocessados.
Esses alimentos podem acabar aparecendo com muita frequência porque são práticos.
Mas praticidade não precisa significar depender sempre de produtos prontos.
Com um pouco de organização, é possível preparar opções caseiras e variar os alimentos oferecidos.
7 ideias para incluir legumes nos lanches das crianças
1. Bolinho de cenoura
O clássico bolo de cenoura pode ser uma opção para variar os lanches.
A criança pode participar do preparo, ajudar a lavar ou observar a cenoura sendo utilizada na receita.
2. Cupcake ou bolinho de beterraba
A beterraba pode deixar a preparação colorida e tornar o momento ainda mais divertido.
Você pode apresentar o alimento antes de preparar a receita:
“Olha a cor dessa beterraba! Vamos usar no nosso bolinho?”
3. Torta de legumes
Você pode preparar tortas com diferentes combinações, de acordo com os alimentos que a família costuma consumir.
Algumas possibilidades incluem:
- Cenoura;
- Abobrinha;
- Milho;
- Brócolis;
- Espinafre.
Uma boa estratégia é permitir que a criança veja os ingredientes e participe de alguma etapa simples do preparo.
4. Pão ou panqueca com vegetais
Existem diversas preparações caseiras que podem incluir ingredientes como cenoura, abóbora ou outros vegetais.
Além de variar a alimentação, essas receitas podem ser preparadas em maior quantidade e organizadas para outros dias.
5. Palitinhos de legumes
Dependendo da idade e da capacidade de mastigação da criança, alguns vegetais podem ser apresentados em formatos diferentes.
Cenoura cozida, pepino ou outros alimentos adequados podem ser cortados de maneira segura e oferecidos junto com outras opções.
A apresentação também pode despertar a curiosidade da criança.
6. Sanduíches com recheios variados
O sanduíche não precisa ser sempre pão e um único recheio.
Você pode variar os ingredientes e incluir preparações com legumes, como pastas ou recheios caseiros.
A ideia é ampliar gradualmente as possibilidades.
7. Sucos e vitaminas com ingredientes variados
Alguns vegetais podem ser utilizados em bebidas e preparações.
Um exemplo é o suco feito com cenoura e laranja.
Também existem receitas que utilizam ingredientes como abóbora ou outros vegetais em vitaminas e preparações cremosas.
Mas é importante lembrar que oferecer o alimento em forma de bebida não precisa substituir o contato da criança com o legume em outras formas.
Ela também pode conhecer o alimento inteiro, observar sua cor, textura e formato.

Fonte da imagem: Acervo pessoal
Antes colocar o legume na receita, apresente-o à criança
Essa é uma estratégia simples que gosto muito de utilizar.
Antes de preparar uma receita com cenoura, por exemplo, mostre a cenoura.
Pergunte:
“Que cor ela tem?”
“Ela é dura ou macia?”
“Você sabe onde ela cresce?”
Você também pode levar a criança ao supermercado ou à feira e permitir que ela participe da escolha dos alimentos.
Esse contato pode ajudar a tornar os legumes mais familiares.
A criança não precisa comer para aprender.
Ela também aprende observando, tocando e participando.

Fonte da imagem: Acervo pessoal
Como escolher alimentos industrializados para o lanche?
Nem sempre será possível preparar tudo em casa.
E isso não significa que você está fazendo algo errado.
A rotina é corrida, e uma alimentação saudável precisa ser possível para a família.
Quando for comprar um alimento industrializado, vale a pena observar a embalagem e a lista de ingredientes.
Em vez de procurar uma regra simplificada como “se tiver um ingrediente desconhecido, não compre”, recomendo comparar produtos e observar a frequência com que determinados alimentos aparecem na rotina.
Priorizar alimentos in natura e minimamente processados na maior parte da alimentação é uma estratégia importante.
Quando houver necessidade de comprar produtos industrializados, observe os ingredientes e escolha opções que façam sentido dentro da alimentação da criança.
O mais importante é olhar para o conjunto.
Uma lancheira saudável não precisa ser perfeita todos os dias.
Organização é a chave para preparar lanches mais saudáveis
Eu sei que muitas mães pensam:
“Eu não tenho tempo para preparar tudo isso.”
E a verdade é que você não precisa cozinhar uma receita diferente todos os dias.
A organização pode facilitar muito.
Você pode escolher um dia da semana para preparar algumas opções e armazená-las adequadamente.
Por exemplo:
- Preparar bolinhos caseiros;
- Fazer uma torta;
- Organizar frutas;
- Deixar alguns ingredientes separados;
- Planejar as opções da semana.
Assim, durante os dias mais corridos, você não precisa começar tudo do zero.
Planejamento não significa passar horas na cozinha.
Significa tomar algumas decisões antes que a correria comece.
Não desista dos legumes
Se o seu filho recusa legumes hoje, isso não significa que você precisa aceitar que ele nunca terá contato com eles novamente.
Continue oferecendo.
Mas faça isso sem pressão.
Sem ameaças.
Sem transformar a refeição em uma negociação.
Lembre-se de que aprender a comer também é um processo.
Algumas crianças precisam de mais tempo.
Outras podem precisar de estratégias específicas e, em alguns casos, de acompanhamento profissional.
O importante é não acreditar que existe uma solução mágica.
Construir hábitos alimentares saudáveis acontece aos poucos, através de pequenas experiências repetidas ao longo do tempo.
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Os conteúdos deste site possuem caráter educativo e não substituem uma avaliação individualizada com profissional de saúde.
Autora: Núbia Antunes- nutricionista Infantil CRN9 12675